A Teoria Monárquica

No debate das formas políticas, apenas os leigos não enxergam que os argumentos e as razões transcendem em muito os domínios da arquitetura política.

A discussão não se limita ao fato de se ter um Rei ou um Presidente no alto das instituições. Vai mais longe. O cerne da discussão são dois modos de ser e de viver totalmente opostos.

No Brasil, após o golpe militar que derrubou o Imperador D. Pedro II, ocorreram grandes mudanças no comportamento das pessoas.

Este fato foi percebido por Monteiro Lobato que escreveu: “O juiz era honesto, se não por injunções da própria consciência, pela presença da Honestidade no trono”.

O político visava o bem publico se não por determinismo de virtudes pessoais, pela influencia catalítica da virtude imperial. As minorias espiravam, a oposição possibilitava-se: o chefe permanente das oposições estava no trono.

A justiça era um fato: havia no trono um juiz supremo e incorruptível. O peculatário, defraudador, o político negocista, o juiz venal, o soldado covarde, o funcionário relapso, o mau cidadão enfim, e mau por força de pendores congeniais, passava, muitas vezes, a vida inteira sem incidir num só deslize.

A natureza o propelia ao crime, ao abuso, à extorsão, à violência, à iniqüidade, mas sofreava as rédeas aos maus instintos a simples presença da Equidade e da Justiça no trono.

Ignorávamos isso na monarquia

Foi preciso que viesse a republica, e que alijasse do trono a Força Catalítica para patentear-se bem claro o curioso fenômeno. A mesma gente, o mesmo juiz, o mesmo político, o mesmo soldado, o mesmo funcionário até 15 de novembro honesto, bem intencionado, bravo e cumpridor dos deveres, percebendo, na ausência do imperial freio, ordem de soltura, desacamparam a alcatéia dos maus instintos mantidos em quarentena. Daí, o contraste dia a dia mais frisante entre a vida nacional sob Pedro II e a vida nacional sob qualquer das boas intenções quadrienais que se revezam na curul republicana.

Pedro II era a luz do baile

Muita harmonia, respeito ás damas, polidez de maneiras, jóias d’arte sobre os consolos, dando o conjunto uma impressão genérica de apuradíssima cultura social. Extingue-se a luz. As senhoras sentem-se logo apalpadas, trocam-se tabefes, ouvem-se palavreados de tarimba, desaparecem as jóias…”

A seriedade nos negócios deixou de ser uma virtude, passando a ser considerada uma coisa do passado. O civismo desaparecera por completo. Os bons costumes haviam sido esquecidos. Alguma força misteriosa havia transformado um povo sério numa turba de pândegos? É claro que não. Só havia uma diferença: havíamos perdido o Imperador.

O Imperador era o exempo a ser seguido

Durante a Guerra do Paraguai Dom Pedro II destinou ¼ de seu orçamento pessoal em benefício das despesas da guerra.

 Dom Pedro II se recusou a aceitar a quantia de 5 mil contos de réis (equivalente a 4 toneladas e meia de ouro), oferecida pelos golpistas republicanos, quando do exílio, mostrando que o dinheiro não lhes pertencia, mas sim ao povo brasileiro.

O Imperador recusou esta quantia em dinheiro deixando ao país um último benefício: O grande exemplo de seu desprendimento. Infelizmente esse exemplo não frutificou na República, como seria necessário.

O caso brasileiro não é o único exemplo dessas transformações.

A rigor, não existe um só caso em que a mudança da forma de governo não tenha provocado profundas alterações na vida dos cidadãos. O que ocorreu no Brasil, logo após o golpe militar de 1889, não foi muito diferente do que se passou em outras nações que abandonaram a Monarquia. Em todos os casos houve uma brusca mudança do comportamento dos cidadãos.

Anatole France, com a sua fina perspicácia, descrevendo uma reunião em que um oficial do exército apoia naturalmente os dedos numa cadeira onde estava sentada uma bela jovem, fez um dos personagens comentar: “A partir daquele momento compreendi que a República havia triunfado”.

Outro grande escritor francês, Stendhal, autor de “O Vermelho e o Negro”, numa das mais românticas comparação entre as duas formas políticas, sentencia: “Não se ama em República do mesmo modo que sob o Império”.

Observe a descrição do espanhol José Maria Pemán sobre o que se passou em sua terra:” Que voz oculta foi a que, na Espanha, em 14 de Abril de 1931, disse às prostitutas e aos maus estudantes que podiam sair para a rua, abraçados de modos provocantes e dando gritos de júbilo, como se a sua hora tivesse chegado? Que fino instinto secreto foi o que, naquele dia, deu a entender à turba que podia pisar os canteiros de flores da Moncloa e podia circular contra as luzes vermelhas e verdes que regulavam o trânsito? Porventura se tinha promulgado nova legislação que permitisse todas estas coisas? Não. A razão era simples: o Rei tinha partido. “.

Em outro trecho de seu livro, o mesmo Pemán observava: “No dia 15 de abril de 1931 já se andava de outra maneira pelas ruas de Madrid, o público já se sentava de maneira diferente nas cadeiras dos teatros e já era de outro modo que se pedia uma limonada num café da Gran Via”.

No caso contrário, como parece ser a tendência atual, quando um povo sai da República e passa à Monarquia, a sensação também é diferente daquela outra. Não há uma anulação de valores. Não existe a sensação de perda. Há um sentimento de ganho.

Quando se altera a forma de governo, se altera tudo. As mesmas pessoas se tornam diferentes; o modo de vida se modifica; e até mesmo nos detalhes mais insignificantes se percebe a mudança. O ambiente não é mais o mesmo.

Muitos entendem que essas transformações são meramente acidentais, uma conseqüência passageira de um período geralmente turbulento que acompanha as mudanças na forma política. Esse é outro ponto de vista enganoso, e tampouco corresponde à verdade histórica. Não há nada de acidental nessas transformações. Quando um fenômeno se repete sempre que certas causas ocorrem, não é um acidente: é uma lei natural.

Fonte: http://www.brasilimperial.org.br

 

 

 

 

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